Terapia Ocupacional em Destaque

Terapia Ocupacional em Destaque

Terapia Ocupacional

"É um campo de conhecimento e de intervenção em saúde, educação e na esfera social, reunindo tecnologias orientadas para a emancipação e autonomia das pessoas que, por razões ligadas a problemática específica, físicas, sensoriais, mentais, psicológicas e/ou sociais, apresentam, temporariamente ou definitivamente, dificuldade na inserção e participação na vida social. As intervenções e Terapia Ocupacional dimensionam-se pelo uso da atividade, elemento centralizador e orientador, na construção complexa e contextualizada do processo terapêutico"

Referência: World Federation of Occupational Therapy; Associação Brasileira de Terapia Ocupacional; Centro de Estudos de Terapia Ocupacional - Ceto. Definições de Terapia Ocupacional. Lins: Faculdades Salesianas de Lins, 2003. (p.70)

Conheça este profissional e usufrua de suas capacidades.

Sejam todos muito bem vindos!

domingo, 31 de março de 2013

CASA NOVELLA ESTÁ AMPLIANDO SEU TRABALHO


Pessoal, segue divulgação da abertura da nova unidade da Casa Novella. Se você não conhece este trabalho, visite o site:  http://www.casanovella.org.br/


Estigma e Esquizofrenia

O Estigma na esquizofrenia tem sido investigado por diversos grupos, em diversos locais, por ser nesta síndrome um fator provavelmente perpetuador do ciclo que envolve os sintomas negativos e o baixo funcionamento social. O estigma parece fortalecer tais sintomas que já apresentam prejuízo nesta síndrome.

Sabe-se que os sintomas negativos, são menos responsivos à intervenção farmacológica. Por isto a necessidade de que a intervenção na síndrome esquizofrenica seja não somente farmacológica mas também psicossocial e cognitiva.

O estigma está relacionado á marginalização social, à redução da busca por ajuda - inclusive em relação à saúde física, ao prejuízo na qualidade de vida global, redução da rede de suporte social, baixas oportunidades de emancipação e empoderamento, entre outros.

Estigma é um termo amplo, que abrange problemas de conhecimento (ignorância), postura (preconceito) e comportamento (discriminação). Para reduzí-lo e eliminá-lo, faz-se necessário a combinação de intervenções junto ao sujeito e junto á comunidade, onde pode ser possível, por meio de criação de oportunidades, potencializar as habilidades a fim de uma melhor qualidade de vida.

A mudança certamente não é rápida e requer alto investimento de tempo e de conhecimento. Acredito ser este um caminho interessante de construção de espaços de direitos realmente alcançáveis. E é neste caminho que tenho dedicado minha pesquisa.

Abraços,
Keliane

domingo, 13 de janeiro de 2013

Atividade de banho e déficit cognitivo


São frequentes as dificuldades na realização das atividades de vida diária, em pessoas que apresentam déficits cognitivos relacionados a diversas patologias. Muitas vezes faz-se necessário uma adaptação na atividade para que ela possa ser efetivamente realizada.

Dificuldades para realizar tais atividades também se apresentam em pessoas com limitações físicas, no entanto as adaptações para tais atividades serão prioritariamente mecânicas, por meio do uso da tecnologia assistiva facilitando tal realização.

Quando se trata de comprometimento cognitivo isso já tem uma implicação diferente, pois o paciente tem recursos físicos para realizar a atividade, mas o processamento cognitivo (planejamento da tarefa, sequenciamento, execução, tomada de decisão, controle inibitório, flexibilidade cognitiva, atenção, memória de trabalho,...) é prejudicado. Nestes casos a intervenção do terapeuta ocupacional é importante para avaliar qual o comprometimento cognitivo presente, quais áreas cerebrais envolvidas, e quais preservadas para elaborar e executar uma adaptação com a qual possa melhorar o desempenho.

Trago hoje um exemplo de atividade preparada para uma pessoa com déficits cognitivos, levando em consideração o seu contexto e sua subjetividade. Segue então uma ilustração de uma adaptação da atividade de banho para este paciente que apresentava resistência para realizar o banho. Ele chegava a ir ao banheiro após muita insistência, mas lá chegando ao retirar a roupa e se ver nu, acreditava já ter terminado a atividade e vestia-se novamente sem ter realizado a tarefa. Este foi o problema de desempenho apresentado pela família e cuidadora e que representava prejuízo importante no auto-cuidado.

Após avaliação minuciosa, identifico que a dificuldade em realizar a tarefa está em decompô-la para realizá-la. Como potencial observo que trata-se de paciente muito responsivo ao estímulo sensorial visual por ser uma área preservada pelo acometimento apresentado.

Faço então a decomposição da tarefa, habilidade que atualmente o paciente não apresenta recursos para fazê-lo. Decompus a tarefa de banho em 5 passos com figura e frase simples e breve conforme abaixo apresento alguns:




Foram confeccionados com imagens coloridas e frases simples e claras fixadas ao EVA que tem fácil aderência quando molhado no azulejo do banheiro. Foi confeccionado também um livreto com o mesmo material, e foi feito o treino da cuidadora para que o livreto fosse utilizado minutos antes da atividade de banho estimulando e preparando o paciente para a realização do banho. Os 5 quadros ficam fixados no azulejo e o paciente é convidado a observar a sequencia para tomar o banho. Após 2 dias com esta sequencia de estímulos, o paciente que apresentava resistência para o banho já há 2 semanas retorna á atividade sem resistência.

Observando o material produzido, muitas pessoas podem pensar: precisa ser terapeuta ocupacional para fazer isto?

E a resposta é SIM!

Qualquer pessoa poderia recortar e colar na parede as tarefas...isto é fato. Mas o mais importante está no raciocínio por detrás desta atividade. Para saber se esta atividade conseguiria atingir o efeito esperado de melhorar o desempenho nesta pessoa na atividade de auto cuidado, foi necessário um raciocínio científico sobre as áreas cerebrais ativadas nesta atividade, as áreas acometidas no quadro do paciente, e quais as portas de entrada "input" dos estímulos para conseguir alcançar tais objetivos, dentre outros aspectos. Tais conhecimentos de análise da atividade e dos componentes necessários para o desempenho das atividades, é próprio do Terapeuta Ocupacional. A atividade em si é simples, e muito simples! O mais difícil e decisivo é o que está por detrás, é o raciocínio clínico que frente a esta demanda é competência da Terapia Ocupacional!

No gráfico abaixo é possível identificar a melhora no desempenho da atividade de 2 (em uma escala de 0 a 10) para 9. Este gráfico apresenta significativa melhora no desempenho da atividade de banho, que estava sendo uma atividade difícil e sofrida para o paciente, a família e a cuidadora. 


"Terapia Ocupacional só com Terapeuta Ocupacional"!

Abraços,
Keliane


Para 2013...!

Então 2013 chegou! E chega com uma promessa de muitas informações e orientações aqui disponibilizadas. A ideia é a de fazer deste, um canal de informações preciosas para o maior número de pessoas. 


Então, que venha 2013, e que nos presenteie a todos com saúde e qualidade de vida!

Bem vindos novamente!
Abraços,
Keliane

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Reflexões do dia a dia de uma terapeuta ocupacional


Hoje após três avaliações de novos clientes para iniciar a intervenção terapêutica ocupacional domiciliar, fiquei refletindo enquanto dirigia, sobre a diversidade de coisas e idéias que precisam passar pela mente de terapeutas ocupacionais. 

É uma diversidade tão grande de problemas de desempenho que as pessoas passam na vida, que exige grande flexibilidade para intervir... É sempre preciso considerar o que é importante para uma determinada pessoa, e não adianta acharmos que o bom, por exemplo, é escovar os dentes, se o desejo da paciente é passar batom...claro que no final ela vai estar escovando bem os dentes (espera-se), mas não podemos jamais deixar de escutar esta demanda do batom, que fala sobre sua imagem, sua vaidade, sua aparência e parte de sua identidade. 

Com frequencia alguns colegas pedem sugestões de atividades para determinados problemas, mas dificilmente isto funcionará sem fazer significativas adaptações considerando o sujeito, seu contexto e sua subjetividade. Uma atividade de troca de dominância para uma idosa bordadeira é bem diferente de uma atividade de troca de dominância de uma idosa que precisa assinar seu nome. A mesma atividade, mas com fins diferentes, para pessoas diferentes, com desempenho e contexto diferentes...já não é a mesma atividade. Neste caso a troca de dominância não é propriamente o fim, e sim o meio para poder  desempenhar uma atividade importante em seu dia-a-dia, que seria bordar e assinar.  

É a partir destas e de muitas reflexões da minha prática, que tenho a certeza da escolha que fiz. Ser terapeuta ocupacional vai muito além do que os outros podem ver...diz da intimidade das pessoas, de sua independência para permanecer sendo quem ela é e exercendo sua autonomia nos espaços que ela conquistou. 

Nós terapeutas ocupacionais que no dia a dia nos deparamos com as dificuldades das pessoas nas mínimas coisas, como: conseguir segurar a bucha do banho durante o mesmo e esfregar o próprio corpo sem depender de alguém; conseguir levantar-se da cama para ir ao banheiro ou circular pela casa por meio de uma adaptação ambiental, sem ter que para isto solicitar á alguém que participe desta sua decisão e o ajude a cumpri-la; conseguir circular pelas ruas da cidade para ir estudar, ou trabalhar, sem achar que todos ao seu redor o estão perseguindo...

Nós podemos considerar o nosso dia a dia muito rico de conquistas, apesar de frequentemente lidarmos com o sofrimento. E nosso dia a dia precisa estar recheado de atividades diversificadas, com propósito e fim terapêutico para atender a esta demanda tão diversificada.  Então, continuemos nos munindo de recursos e fazendo bom uso deles, para que os prejuízos no desempenho das atividades não sejam maiores do que o vontade dos sujeitos em superá-los.

Abraços,
Keliane de Oliveira
Terapeuta Ocupacional

sábado, 3 de novembro de 2012

E quando o paciente recusa a intervenção?


Olá! Boa Noite!

Sabe quando o paciente apresenta vários sinais de necessitar da intervenção terapêutica ocupacional?...Tem limitações no desempenho das atividades de vida diária, discurso empobrecido, dificuldade de circular na sociedade e de interagir com outras pessoas, limitações no desempenho de atividades produtivas e de lazer...Enfim...o paciente certamente se beneficiaria da intervenção da T.O....mas ele não a quer...E aí?



Situação difícil, quando o paciente ou não é ciente de suas próprias limitações, ou não tem recursos para enfrentá-las e não tem disposição para adquiri-los por meio da intervenção. Principalmente quando o paciente é adulto ou idoso e para os quais o recurso lúdico não surte tanto efeito. 



Sabe-se que tal recusa já é um sinal para intervenção terapêutica, pois pode representar para além das limitações do transtorno, dificuldades do indivíduo em lidar com tais limitações e talvez uma necessidade de fuga de qualquer coisa que o remeta a elas. Isto também pode se dar por déficit em componente perceptual, que dificulte ao paciente notar suas próprias limitações para julgar necessária a intervenção.

Impor a intervenção certamente não é o caminho, pois o atendimento da T.O se baseia no engajamento do paciente nas atividades propostas, e principalmente sua participação em todas as suas etapas, desde o planejamento até sua finalização. E, toda a proposta da Terapia Ocupacional, baseia-se em atividades que sejam significativas e contextualizadas, e é desta forma que o fazer adquire caráter terapêutico. Mas mesmo com estas propriedades, acontece de o paciente não aderir ao tratamento. 


Nestes casos, uma possibilidade é intervir junto ao paciente de forma indireta em um primeiro momento, por meio de intervenções com a família/cuidador. Orientações periódicas sobre como interagir melhor com o paciente, propor atividades, estimular circulação social podem representar ganho importante para o paciente e redução da sobrecarga da família/cuidador. Para que então em um segundo momento lhe seja mais possível aceitar a intervenção do profissional de forma direta. 

Fica a dica!

Abraços,
Keliane de Oliveira 
Terapeuta Ocupacional






quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Risco de Quedas para Idosos

Uma das áreas de atuação da Terapia Ocupacional é a Gerontologia. Área que oferece assistência ao público idoso com ações preventivas e de reabilitação. Dentre as possíveis ações preventivas, está a adaptação domiciliar. Frequentemente utilizada para idosos que ainda tem preservadas parte significativa de sua independência nas atividades do dia-a-dia e circulação dentro de casa, mas precisa fazê-lo com maior segurança devido ao declínio funcional característico do processo de envelhecimento. Compartilho um vídeo que oferece algumas dicas importantes e informo que todo terapeuta ocupacional é um profissional apto a fazer adaptações domiciliares de acordo com a necessidade de cada idosos. E reforço que isto deve ser feito em toda casa que tiver idosos, pois reduzindo o risco de quedas, prolonga-se a funcionalidade e autonomia, por meio da segurança para circular em casa. Infelizmente, muitas vezes este cuidado não é tomado, e então ao procurar um profissional da reabilitação, a demanda já é outra e frequentemente acompanhada de dor, perda parcial da independência e autonomia para o desempenho das atividades de vida diária. Portanto, vamos nos atentar e prevenir!


Abraços,
Keliane - T.O.